EPON, GPON, XG-PON e XGS-PON: o que muda na hora de comprar a OLT

Toda proposta de OLT vem com uma sopa de siglas, e a diferença entre elas costuma ser explicada pelo vendedor de um jeito que favorece o equipamento mais caro. Este texto compara as quatro pelo que efetivamente decide a compra em provedor.

A tabela que resolve 80% da dúvida

Tecnologia Padrão Download Upload Situação no Brasil
EPON IEEE 802.3ah 1,25 Gbps 1,25 Gbps Legado, em desuso
GPON ITU-T G.984 2,488 Gbps 1,244 Gbps Dominante
XG-PON ITU-T G.987 10 Gbps 2,5 Gbps Nicho, pouco adotado
XGS-PON ITU-T G.9807 10 Gbps 10 Gbps Em crescimento

EPON: por que ficou para trás

EPON nasceu do mundo Ethernet, é mais simples de entender e por um tempo teve equipamento mais barato. Perdeu espaço por dois motivos práticos.

O primeiro é eficiência: EPON usa encapsulamento Ethernet puro, com mais overhead, então a banda útil fica bem abaixo do número nominal. O segundo é ecossistema: o mercado brasileiro consolidou em GPON, e isso significa mais fornecedores de ONT, mais preço competitivo e mais gente que sabe operar.

Comprar EPON hoje é aceitar um parque isolado. Só faz sentido para expandir uma planta EPON que já existe e ainda tem vida útil.

GPON: o padrão de fato

Os 2,488 Gbps de download por porta PON parecem pouco perto de XGS-PON, até você fazer a conta de ocupação real.

Com 64 assinantes em uma PON e taxa de sobrecontratação típica de provedor, GPON sustenta confortavelmente planos residenciais de 300 a 500 Mbps. O gargalo raro aparece no download; quando aparece, quase sempre é no upload, que tem metade da capacidade e é onde a alocação dinâmica de banda importa mais.

É por isso que dimensionamento de DBA pesa mais na experiência do assinante que a escolha da tecnologia. Uma PON GPON bem configurada entrega melhor que uma XGS-PON com perfis errados.

XG-PON: o padrão que ficou no meio

XG-PON entrega 10 Gbps de download e 2,5 Gbps de upload. É assimétrico, e essa assimetria é justamente o motivo pelo qual ele foi atropelado.

Quando o mercado começou a precisar de mais que GPON, o que faltava não era só download: era upload, puxado por trabalho remoto, backup em nuvem e videoconferência. XGS-PON chegou entregando 10 Gbps simétricos por um custo próximo, e XG-PON virou uma nota de rodapé.

Recomendação prática: se a proposta oferece XG-PON, pergunte por que não XGS-PON.

XGS-PON: quando ele se paga

XGS-PON é o caminho de crescimento natural de quem já tem GPON, por um motivo técnico importante: as duas tecnologias convivem na mesma fibra, porque usam comprimentos de onda diferentes. Um combinador WDM permite que assinantes GPON e XGS-PON compartilhem a mesma rede óptica passiva.

Isso muda a estratégia de compra. Você não precisa migrar o parque: coloca XGS-PON onde a demanda justifica e mantém GPON no resto.

Os casos em que ele se paga hoje:

  • Cliente corporativo pedindo link simétrico de 1 Gbps ou mais.
  • Condomínio de alta densidade em que a PON já opera perto do teto.
  • Backhaul de torre ou de ponto de presença sobre a mesma planta óptica.

O que ainda pesa contra é o preço da ONT XGS-PON, sensivelmente maior que o da ONT GPON. Para plano residencial padrão, a conta raramente fecha.

O que decide de verdade a escolha da OLT

Depois de dezenas de dimensionamentos, a tecnologia é a terceira variável mais importante. As duas primeiras são:

  1. Razão de splitter e orçamento óptico. Uma planta com 1:64 e distâncias longas vai ter problema de potência independentemente do padrão escolhido.
  2. Placas e slots do chassi. Uma MA5800 comprada com todos os slots ocupados no dia um não tem para onde crescer. Compre pensando em três anos, não em três meses.

E existe uma quarta variável que ninguém coloca na planilha: quem vai operar. Uma OLT superdimensionada operada por gente que não domina line profile e DBA entrega pior que uma OLT modesta bem configurada.

Antes de assinar a proposta

Três perguntas que valem a pena fazer ao fornecedor:

  • Essa placa é GPON pura, Combo ou Flex? Combo aceita GPON e XGS-PON na mesma porta, o que muda o custo de evolução.
  • Quantos slots ficam livres depois desta configuração?
  • Qual a capacidade de uplink do chassi, e ela acompanha a soma das PONs previstas?

Se você quer essa conta feita com a sua planta e o seu crescimento projetado, é a primeira etapa da consultoria em GPON e FTTH. Se prefere que a sua equipe entenda hardware, chassi e critérios de dimensionamento por conta própria, é exatamente o módulo 2 do Curso GPON Huawei OLT MA5800.

Leitura relacionada: line profile, service profile e DBA, que é onde a capacidade da PON vira, ou deixa de virar, velocidade para o assinante.