Como provisionar ONT em OLT Huawei MA5800 pela CLI (passo a passo)
Provisionar uma ONT em OLT Huawei parece simples até a primeira vez que você faz isso em produção, com cliente esperando e uma PON cheia de assinantes ativos do outro lado. O medo não é do comando: é de aplicar no lugar errado.
Este é o caminho que eu uso em campo, na ordem em que ele acontece. Vale para a família MA5800 e, com pequenas diferenças de sintaxe, também para MA5680T e MA5683T.
Antes de digitar qualquer comando
Três coisas precisam estar decididas antes de abrir o SSH. Se alguma delas estiver no ar, o provisionamento vira tentativa e erro:
- Qual porta PON a caixa de atendimento do cliente alimenta (slot e porta).
- Qual VLAN de serviço corresponde àquela PON no seu desenho de rede.
- Qual line profile e service profile correspondem ao plano comercial contratado.
Se a sua operação não tem essa correspondência escrita em algum lugar, esse é o problema real, e ele é maior que o provisionamento. É exatamente a bagunça que a padronização de perfis GPON resolve.
Passo 1: entrar e localizar a ONT
Depois do SSH, o caminho é sempre o mesmo:
huawei> enable
huawei# config
huawei(config)# interface gpon 0/1
huawei(config-if-gpon-0/1)# display ont autofind all
O display ont autofind all lista as ONTs que estão na fibra e ainda não foram autorizadas. É aqui que você confere o serial (SN) da ONT que o técnico acabou de instalar.
Dois detalhes que economizam tempo:
- Se a ONT não aparece, o problema é físico ou de configuração da porta. Confira se o
ont-auto-findestá habilitado naquela PON antes de procurar defeito no equipamento do cliente. - O serial na etiqueta da ONT costuma vir em formato diferente do que a OLT mostra. A etiqueta traz algo como
HWTC12345678; a OLT mostra o mesmo valor em hexadecimal,48575443.... São o mesmo número escrito de duas formas.
Passo 2: autorizar a ONT
Com o serial em mãos, a autorização é uma linha:
huawei(config-if-gpon-0/1)# ont add 0 sn-auth "48575443AAC48FB6" omci ont-lineprofile-id 10 ont-srvprofile-id 10 desc "Cliente 4821 - Rua X, 100"
Traduzindo cada parte:
ont add 0— a porta PON dentro do slot em que você entrou. Confira duas vezes: esse número é o erro mais comum.sn-auth— autorização pelo número de série. É o método mais seguro, porque amarra o serviço àquele equipamento específico.ont-lineprofile-id— define o comportamento de banda: o DBA, o T-CONT e os GEM ports.ont-srvprofile-id— define as capacidades da ONT: quantas portas Ethernet, se tem Wi-Fi, se tem POTS.desc— a descrição. Parece detalhe, e é o que separa uma OLT auditável de um inventário impossível de ler dois anos depois.
A OLT devolve o ONT ID atribuído. Anote: os próximos comandos usam esse número, não o serial.
Passo 3: amarrar o serviço à VLAN
A ONT autorizada ainda não passa tráfego. Falta o service port, que liga a ONT à VLAN de serviço:
huawei(config)# service-port vlan 400 gpon 0/1/0 ont 0 gemport 1 multi-service user-vlan 400 tag-transform translate
Esse é o comando que efetivamente coloca o cliente na rede. Se a VLAN aqui não bater com a que o concentrador PPPoE espera, o cliente autentica em lugar nenhum e o suporte vai procurar defeito na ONT por meia hora.
Passo 4: conferir antes de liberar
Nunca encerre o atendimento sem olhar a potência óptica. É o indicador que antecipa quase todo problema futuro naquele cliente:
huawei(config)# display ont optical-info 0 1 0
O que você quer ver:
- Rx power entre -8 dBm e -27 dBm. Fora dessa faixa, o cliente vai funcionar hoje e reclamar em três meses, quando a fibra envelhecer um pouco.
- Rx power muito próximo de -8 dBm indica pouca atenuação, o que costuma significar splitter errado ou cliente perto demais sem atenuador.
- Variação grande entre ONTs da mesma PON aponta problema na rede óptica passiva, não no cliente.
Depois disso, confirme que a ONT está online e com o estado normal:
huawei(config)# display ont info 0 1 0
Passo 5: salvar
Este é o passo que mais gente esquece, e o que transforma uma queda de energia na OLT em um domingo perdido:
huawei(config)# quit
huawei# save
Se a sua OLT não tem save automático configurado, configure. Não é uma otimização; é o mínimo.
O que dá errado com mais frequência
| Sintoma | Causa mais comum |
|---|---|
| ONT não aparece no autofind | ont-auto-find desabilitado na PON, ou problema físico na fibra |
| ONT online mas sem tráfego | service-port ausente ou com VLAN errada |
| Velocidade abaixo do plano | line profile com DBA de outro plano comercial |
| ONT cai e volta sozinha | potência óptica no limite ou conector sujo |
| Serviço some depois de um tempo | configuração não foi salva, ou outra ferramenta escreveu na OLT depois |
Quando isso deixa de escalar
Esse procedimento funciona bem enquanto o volume é baixo e existe alguém com acesso SSH disponível. A partir de certo ponto, dois problemas aparecem juntos: a ativação fica na fila esperando uma pessoa específica, e cada técnico começa a fazer de um jeito ligeiramente diferente.
É o problema que o OLT Pro resolve: o comando validado vira template com variáveis, o técnico preenche um formulário e a plataforma executa na OLT, guardando o log de cada passo e de cada resposta do equipamento.
Para ir além do comando
Decorar essa sequência resolve o caso simples. O que ela não ensina é o porquê: como o DBA distribui banda entre as ONTs da mesma PON, o que muda entre um T-CONT tipo 1 e tipo 4, quando o service profile precisa ser diferente e como dimensionar splitter sem estourar o orçamento óptico.
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